Oi, eu era sua amiga. Você lembra de mim? Como não? Nós tínhamos muitos planos juntos, como por exemplo, um dia fazer uma tatuagem igual, eu seria sua madrinha de casamento e usaria um vestido rosa, e olha que eu odeio rosa, mas por você eu faria esse sacrifício. Nós até prometemos que batizaríamos um ao filho do outro e seríamos vizinhos de porta em uma casa colorida. Mas de repente, tudo acabou. Sabe quando você espera muito pelo final de uma série, e é uma furada? Ou então quando seu personagem favorito morre? Eu realmente me senti assim. Eu gostava de você, ou melhor, eu amava você. Eu amava nossa amizade. Eu confiava em você. Eu te confidenciei meus segredos, os maiores deles. E do nada, eu me vi sozinha. Cadê aquela amizade tão grande? Cadê aquela amizade tão importante? Pelo visto, nada realmente é pra sempre.
Você agora lembra de mim? Ainda não? Eu sou aquela que tem medo de palhaço, que não sabe ser fresca, que fala dormindo, que sonha demais. Por falar em sonhar demais, você lembra dos nossos sonhos em conjunto? De viajar o mundo? De morar juntos? Pelo visto não, mas saiba que apesar de você não ter eles guardado dentro de si, eu os tenho guardado dentro de mim. Assim como tenho guardadas dentro de uma caixa escondida dentro do armário nossas fotos e recordações. Eu realmente achei que um dia poderíamos contar pros nossos filhos que nos conhecemos na infância e contar em meio de muitas risadas tudo que fizemos, como naquele dia que você foi pro cinema comigo para eu poder ficar com ele, ou então quando foi ao parque de diversões só pra me ver passando medo na montanha russa. Você riu da minha cara, mas depois me abraçou quando eu chorei, lembra?
Por falar em abraço, eu sinto falta dele também. Lembro quando a gente chorou abraçados com o final de iCarly. Uma série que marcou nossa infância. Eu sempre achei que a nossa amizade seria tão incrível e intensa quando a da Sam e da Carly. Mas acabou.
Assim como Crepúsculo, Harry Potter, Jogos Vorazes, Shrek, a nossa amizade também. E por incrível que pareça, não foi culpa minha. E olha que eu sempre sou culpada de tudo. A culpa foi, talvez, do tempo, que nos fez nos fez amadurecer rápido demais e tomar rumos diferentes. A culpa também, pode ser, do tal e famoso destino, que você nunca acreditou que de fato influenciava em algo.
A culpa pode ser do horóscopo, das horas iguais, da posição da lua, ou até mesmo das estrelas, mas eu só estou procurando alguma coisa coisa pra por a culpa e não assumir que a culpa, de fato, foi nossa. Que nos deixamos levar pelo orgulho e esperando que, uma procurasse o outro, nunca mais nos procuramos. Enfim, o tempo passou.
O seu mundo girou e o meu também. Mas, devo te confessar que quando fecho ainda lembro de quando a gente brincava de cara-a-cara, e você sempre deixou eu ganhar? Eu sei que você, de fato, sabia que eu era o Antônio ou a Carolina, aquela personagem linda, de batom roxo e cabelos lisos. Mas você sempre falava um nome nada com nada e eu me sentia mega inteligente. Eu sei que você só fazia isso por eu ser super competitiva e por saber que eu podia ficar mal, ou até mesmo chorar se você ganhasse. Me lembro também de quando você veio me contar que perdeu o maldito e amedrontador bv e eu dei um grito, escandalosa como sempre: "O que? Como assim você já beijou e eu não?" que te envergonhou por estar ao lado da sua mãe. Desculpa por isso. Desculpa também por te fazer decorar todas as músicas do Nickelback, do Justin Bieber e da Restart.
Lembro que você falou mal do Justin uma vez, e eu fiquei tão frustada com você. Tá, o cabelo dele nem era tão bonito daquele jeito jogado de lado, mas pra mim era. E mesmo assim, a gente voltou a se falar no dia seguinte, assim que nos vimos, assim como sempre. Ainda assim, te lembrando de tudo isso, você não lembra de mim? Nem um pouquinho se quer? Claro que, depois desse tempo todo, alguém me substituiu em tudo isso e quando eu te conto isso, você pensa em outra pessoa, mas tenta lembrar, vai? Ok... Eu não vou forçar a barra. Mas, saiba que, apesar de tudo, seus segredos e confidências estão guardadinhos aqui comigo, junto com a minha saudade e meu amor por você.
— Beatriz Maria. (25/03/16)


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